terça-feira, 26 de julho de 2011

Seduzindo o corpo a relaxar...

O shiatsu é uma forma de massagem de reequilíbrio físico e energético, eficaz no relaxamento do corpo e da mente, tendo inúmeras aplicações terapeuticas. A palavra “shiatsu” é composta por duas palavras japonesas – “shi” que significa dedo e “atsu” que significa pressão. Assim e conforme o nome sugere, o ministério da saúde japonês dá-nos a seguinte definição de shiatsu:

-“A terapia conhecida por shiatsu é uma forma de manipulação administrada pelos polegares, dedos, e palmas, sem o uso de qualquer instrumento mecânico ou de outro tipo, para aplicar pressão à pele humana, corrigir disfunções internas, promover e manter a saúde, e tratar doenças específicas.”

No oriente o shiatsu é também usado para curar doenças. Porém, o shiatsu é mais eficaz na manutenção da saúde e no reforço de outras técnicas, regulando e fortalecendo o funcionamento dos órgãos e estimulando as resistências naturais do organismo ao elevar o seu nível de energia.

O shiatsu pode aliviar dores no corpo e resolver pequenos disturbios orgânicos, mas o seu maior potencial está em tornar o paciente consciente do seu próprio corpo, ajudando a desfazer as tensões provocadas pelo armazenamento físico de emoções, sentimentos, cansaço e stress. Assim, a pessoa que recebe shiatsu, se se permitir acalmar a sua mente durante a sessão, ficará muito mais relaxada e sentirá uma subtil sensação de prazer em todo o corpo. Experimente!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um Pouco de História

O Shiatsu utiliza, embora com técnicas diferentes, os mesmo pontos e meridianos que a acupunctua, seguindo os mesmos princípios. Existem gravações sobre acupunctura de datam de 1600 a.C.. O primeiro tratado com informação em quantidade e qualidades relevantes, Nei Ching, o livro do Imperador Amarelo, foi escrito há mais de 2000 anos (entre 400 e 200 a.C.), embora haja evidências de que as suas raízes datem de há cerca de 5000 anos. Os conhecimentos nele contidos eram, anteriormente, transmitidos por tradição oral. Os rudimentos destas terapias são extremamente antigos e nunca pararam de evoluir, sendo as técnicas actuais resultado de 5000 anos de estudo e experimentação.

A medicina chinesa (kampo) foi unificada na dinastia Han (de 206 a.C. a 200 d.C.). Antes, dividia-se em dois ramos principais; a sul da China, de terras férteis, que empregava raizes e ervas, e a norte do rio amarelo, região de solo rochoso onde surgiu a acupunctura, moxa e massagem (anma).

Este sistema de medicina foi introduzido no Japão no século VI, aproximadamente uma década depois do Budismo, que, acredita-se, entrou no Japão em 552. Estava então o Japão no período Asuka. Desde então este permaneceu como principal sistema de medicina, até ao final do período Edo (que terminou em 1867).

Nesta altura começou a entrar no Japão a ciência médica ocidental, que veio dominar a madicina da nação durante o período Meiji (de 1868 a 1912), principalmente por causa dos seus métodos cirúgicos e pela sua eficácia no combate a epidemias. No entanto, no século XX as limitações das técnicas ocidentais tornaram-se evidentes. As antigas terapias foram reavaliadas e hoje convivem com a medicina ocidental nos hospitais.

O shiatsu tornou-se reconhecido como uma forma de terapia há aproximadamente 70 anos. Quando o governo do Japão desenvolveu regulamentos exigindo que os praticantes de anma se licenciassem, muitos terapeutas mudaram o nome do seu tipo de tratamento para shiatsu, por forma a evitarem essa regulamentação. Mais tarde esta forma de tratamento foi reconhecida e legitimada, devido à sua eficácia e popularidade.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Diálogo das Almas

O shiatsu é um diálogo entre duas energias vitais. Neste diálogo é tão importante "o que" o praticante faz como "a forma" como ele o faz. A postura física e psíquica do praticante, a forma como toca, o que sente em relação ao paciente, tudo influi de maneira decisiva na qualidade do trabalho. Tudo para seduzir o corpo a desfazer as tensões e dores físicas que muitas vezes resultam não só de esforços físicos mas também de cargas psicológicas e emocionais. Ajudar o paciente a deixar de sofrer com o passado, deixar de "pré-ocupar-se" com o futuro, e vivenciar ao máximo os prazeres do presente. -"Yesterday is history, tomorrow is a mystery, but today is a gift, that is why it is called present".

Ohashi, no seu livro Do-It-Yourself Shiatsu, diz: -"O praticante de shiatsu deve a maior parte da sua habilidae à experiência. Também é verdade que o shiatsu não é uma mera técnica de manipulação - a atitude do paciente tem um papel importante na qualidade do tratamento. Se você (o praticante) não tem empatia com o seu paciente, o seu shiatsu não tem valor... Daí, perfiro trabalhar só com pessoas de que gosto, e, julgando pela minha experiência, esses sentimentos positivos produzem o melhor "shiatsu"."

É verdade que, algumas vezes, o terapeuta aprende a gostar de pessoa ao longo de uma série de sessões, mas algum potencial deve existir nesse sentido. O praticante deve, por isso, utilizar a sua percepção e intuição na avaliação desse potencial.

Em, O Corpo em Depressão, Lowen diz existir "uma grande diferença entre a espiritualidade do homem que trás o seu calor, compreensão e simpatia para as pessoas e a espiritualidade do asceta, que vive no deserto ou se confina numa cela" ou dentro de si mesmo. Enquanto que o primeiro tipo de pessoa está integrado na vida, o segundo distancia-se , acreditando que ser espiritual significa controlar e canalizar os seus instintos, sentimento e emoções. Pode tornar-se uma pessoa poderosa, mas dificilmente humana. A sua espiritualidade estrá fundamentada no ego, na ideia de que certos sentimentos são espirituais e outros não, determinadas atitudes são certas e outras são erradas; no fundo, cultivando um certo sentimento de superioridade em relação às pessoas que não se enquadram nos seus conceitos de espiritualidade.

A pessoa espiritual (se é que semelhante designação deva ser aplicada ou almejada) é autêntica, sincera e humana. Não tem medo de se expor ou de errar, pois confia na sua natureza e sabe que pode crescer através dos seus erros. A espiritualidade não é uma questão de atitudes ou de roupas, mas da capacidade de se ser inteiro, de se estar completamente presente e de aprender com a vida. De incorporar a matéria no espírito, o interesse na amizade, o sexo no amor.

O shiatsu é uma técnica de toque. Embora o paciente esteja vestido (não há necessidade de se despir pois não são aplicados óleos - o que para algumas pessoas é um elemento de conforto por terem dificuldade em despir-se perante um desconhecido e ainda serem tocadas por ele) é sensorial e intimista. As mãos do praticante têm de se moldar ao corpo do paciente.

O medo de tocar outra pessoa é essencialmente medo da sua própria sexualidade. O terapeuta de shiatsu deve compreender a sua própria sexualidade e não a reprimir. O praticante não deve ser sexual durante a sua prática, mas a menos que seja capaz de aceitar e se ralacionar harmonicamente com os seus sentimentos sexuais, não terá a liberdade física e psicológica necessária para realizar um trabalho profundo de shiatsu.

No shiatsu, ao contrário da acupunctura que utiliza agulhas, não há nada entre o praticante e o paciente (à excepção da roupa que este estiver a usar). O praticante de shiatsu "põe as mãos na massa". Como as pressões do shiatsu são feitas a partir de movimentos que mobilizam todo o corpo do praticante e exigem grande sentido de equilíbrio, o praticante tem de ter controle do seu próprio corpo, para além do seu toque e sentimentos.

O praticante deve estar consciente tanto da sua respiração como da do paciente; ela deve manter-se fluida. A melhor pressão é efectuada enquanto o paciente exala, principalmente quando se trabalha as costas, o tórax e o abdómen. O próprio praticante muitas vezes exala conscientemente enquanto pressiona. Também aqui o equlíbrio é muito importante. O praticante deve respirar e mover-se de forma fluída e hamoniosa, todos os toques e pressões executados conscientemente e sem tensões. Como disse Shizuto Masunaga: -"Um mestre transmite energia ki a partir do seu hara (centro) num estado de completo relaxamento".

Fazer shiatsu pode tornarnos mais centrados e mais equilibrados, tanto física como psicológicamente. É uma oportunidade de nos tornarmos conscientes na nossa mente e no nosso espírito. É bom para o corpo e para a alma. É uma oportunidade de crescimento interior. O shiatsu é uma troca, benéfica para o praticante e para o paciente. O praticante, ao lidar com pessoas, transmite aquilo que realmente é e não a imagem que o seu ego deseja transmitir. É esta a verdade que o paciente recebe; a verdade de um ser humano para outro.